quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Amanhecer

De volta aqui, um bem longuinho pra recomeçar. Como sempre, nada com muito nexo, sentimentos desordenados que vêm à minha cabeça e eu tento/preciso desabafar.


Mais uma noite em claro. Eu, o controle remoto, o laptop, o copo de sucrilhos e o celular. O celular? Cadê o celular? Tudo vai bem até eu programar o despertador e lembrar que amanhã o sol nasce de novo. A luz que vem pra me cegar, pra me lembrar que eu preciso vestir a minha roupa de mim mesma ou de mim outra e sair pra selva que há lá fora. A luz que vem pra me acordar, mas nem sempre - quase nunca - consegue. Aí eu me lembro que, daqui pra frente, vou ter que acordar mesmo. Que não vai ter ninguém lá quando eu chegar em casa, e depois, não vai chegar ninguém. Não vai ter ninguém jogando a porcaria daquele jogo idiota no computador. Não vou ter a quem culpar pela louça suja, a casa desarrumada, a bagunça lá de fora, mas especialmente a daqui de dentro. Vou ter que aprender a escutar o despertador de manhã, e levantar quando ouví-lo, ninguém vai me acordar se eu não fizer isso. Não vai ter café na cama, seriado sagrado de fim de noite, discussão também sagrada sobre o jogo e a bagunça da casa. Não vai. A única coisa que eu tenho certeza que vai ter, é uma saudade enorme e um vazio ainda maior. Pode parecer pouco tempo, mas pra mim foi uma eternidade, tanto no bom quanto no péssimo sentido. Tudo mudou nesse um ano que dividimos o teto. E ao mesmo tempo, nada mudou. Pode isso? Não sei. Só sei que é. Só sei que quando eu chegar em casa, na nossa casa, vou sentir seu cheiro em todo lugar, sua presença em toda parte, e vou chorar, louca, descabelada, desesperada, sentar no chão, comer brigadeiro de monte e lembrar que o seu é tão melhor, chorar de novo, os vizinhos vão ouvir os soluços. Vou ter pesadelos toda noite, sempre foi assim quando a gente dorme separado, no começo até quando a gente dormia junto. Mas aí vai passar, eu vou tomar um banho, pôr uma camiseta sua, segurar o colar que vc me deu bem forte e te ligar. Eu vou dizer que amo você e você vai dizer que me ama mais, como sempre, vai perguntar com o que foi que eu sonhei dessa vez. Vai ser assim todo dia. E tem dias que vai ser até pior. Tem dias que eu vou chegar e dormir por estar cansada de repetir isso todo dia, por não aguentar repetir isso todo dia. E no fim de semana a gente se vê e o seu abraço vai ser o meu maior objetivo na vida. Se vai dar certo, eu, sinceramente, não faço a menor ideia. Mas eu quero muito que dê, com todas as minhas forças e moléculazinhas, eu quero, eu preciso. Tudo o que eu sei, depois de tudo pelo que a gente já passou, é que o amor sobrevive a muitas coisas. Dizer que supera é dizer demais, não acho que supera tudo. Acho que sobrevive e aprende. Tem muita coisa que a gente nunca supera, que a gente engole a seco, e chega a lacrimejar quando desce pela garganta. Só sei que daqui há pouco você chega, e eu prometi pra mim mesma que dessa vez, só dessa vez, eu não vou sofrer antecipadamente. Então chega, hora de engolir o choro. E falando em hora, daqui há pouco o despertador vai tocar me avisando que vc chegou e o seu abraço é o meu maior objetivo na vida.